domingo, 9 de novembro de 2008

Onde guardaram o rê?

Não sei há quanto tempo estreou o filme Ó Paí Ó, mas eu só consegui assistir pela primeira vez na semana passada, dias antes de estrear a série na Globo. Até hoje eu não sei porque demorei tanto mas, enfim, xá pá lá! O filme continua atualíssimo!

Ontem eu resolvi assistir de novo, com o nosso Autor (não sei se já falei aqui mas esse blog nasceu de longas conversas sobre o filme!). Acho que se tivéssemos assistido com um bloco de papel e uma caneta na mão, teríamos posts aqui por mais uns 6 meses! É muito material porque, na Bahia, a galera fala exatamente daquele jeito! Pode ser que a gente encontre quem use menos gírias, quem "cante" menos ou quem fale um português mais global (global de Rede Globo, deixemos claro!) mas, de um jeito ou de outro, Ó Paí Ó traduz a realidade do que se fala nas ruas daquela terra.

Mas vamos deixar as prosopopéias de lado e colocar a mão na massa! Temos que começar a gastar logo essas informações porque eu já tô na bruxa! E vamos começar com uma coisa sutil que não se percebe no filme e que ainda não foi mencionada aqui: o esquecimento da letra (ou erre, se você preferir). Baiano não fala o r, repare! É um tal "Ségio", "sovete", "ceveja", "puquê", "ventiladô", "ceteza" e etc., não tem mais fim! Não sei se é preguiça ou se é do dialeto mesmo, ainda não achei a explicação!

E ninguém gosta de ser corrigido quando fala errado! Tenho uma amiga que fala assim e quando eu pergunto "Ô, véi, cadê o rê?" ela me responde indignada "Ó, rapaz, num venha com sua onda de falá igual carioca não, vú?!". Realmente, a indignação faz sentido, estou "ofendendo" a língua dela! Acho até que eu é que tenho que me adaptar e falar igual, para entrar no clima da baianidade de uma vez por todas!

No baianês, também existe o "vú" - notou no exemplo aí em cima? é a abreviação de uma palavra que já é pequena, o viu. Sabe como é, né? Acho que não é preguiça não, pelo contrário! É que esse lance de falar tudo explicadinho é uma perda de tempo danada! Se pra abreviar... A gente abrevia, vú?

2 comentários:

Oh disse...

O lance do Rê é comodidade mesmo. Ele exige mais trabalho na hora de articular as palavras. A língua não pode passear muito na hora de falar. É por isso que se tira o "D" do gerúndio, fale "Pocano" e "Pocando"! A segunda dá mto mais trabalho.

Quando o Rê não some, ele passa para um lugar mais cômodo, que gaste menos energia na hora de falar. Ex: a palavra iogurte fica muito mais fácil assim: iorgute. Não cança a garganta.

Bem, é o que eu acho.

Ivan Corrêa disse...

Vamú pará cum essa porra de chamar bahiano de baiano. Bahiano é com agá! ou cê acha que o grande Rui Barbosa naçeu numa baía qualqué? Bahia, Clube Bahiano de Tênis, Bahianês, é tudo com agá, cacête.

E por falar nisso já tá na hora de mudá definitivamente o feriado nacional de 7 de Setembro pra 2 de Julho, a verdadêra data da Independencia do Brasil.
Quando o Redentô da Sagrada Colina nossos pais conduziu à vitoria!